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08/05/12

Mudar é tão difícil que quando a gente consegue já tem que mudar de novo.

17/04/12

O mar só é grande porque tem maré.

29/03/12

A DROGA DO DESENCANTO.

Entendo os alcoólatras. Entendo os viciados em drogas. Entendo o cara de “boa” família, que tem “tudo” e de repente se mete a fumar crack por aí. Não que eu os apóie, mas compreendo um aspecto comportamental que é característico de parte destes caras: eles não aceitam jogar esse jogo onde os interesses pessoais movem quase tudo. Essa é uma regra pesada demais pra que aceitem entrar no tabuleiro. Eles deixaram de acreditar na verdade das coisas e, por isso, não se emocionam, não se encantam mais. Eles se abstiveram da capacidade de iludir-se, como fazemos habilmente.  Qual é o combustível da vida se não a afirmação constante do “amanhã vai ser melhor”? Sorry, mas estes caras não se permitem confiar nisso. São realistas demais pra pensar convenientemente. Essa é a doença deles.

Congenitamente somos todos viciados em drogas. Os sentimentos, esses promotores químicos natos, são nossa busca elementar constante. A gente precisa gostar de alguém, ter medo, gargalhar, sentir saudade e até chorar. São os psicotrópicos da alma. A gente carece disso. O homem precisa sentir. O ombro amigo é o boteco dos sóbrios. Perceber o desejo de quem a gente gosta, pros caretas, é cocaína pura. É essa ebulição emocional que nos faz submergir da normalidade, esse estado tão amorfo e insosso. O tédio é o estado natural das coisas. O sentir é a mudança.

A nulidade emocional leva às pessoas ao Prozac mas também pode levar a bocada. Pena que seja mais prático produzir remédios (ganha a indústria) e vender drogas – ganham os marginais e os políticos-  que tornar o mundo um pouquinho mais aprazível. O lance é melhorar o PIB, né não? Dependentes químicos precisam mais de gente vestida de humanidade que de jalecos brancos.  Mais de fé nas pessoas que em deus. Precisam estar mais externados que internados.

Viciados, seja em qual droga for, precisam de um mundo mais honesto e de bons cicerones.

Se o mundo perde o encanto ele vira, só, um canto.

20/03/12

O auto-roteiro requer ousadia, aquele ímpeto que só se tem quando o amor mora no gatilho.

13/03/12

O que me faz agir gira insano,
está, estaciona no meu são pensar.
Ou não são? O que valerá?
Permanece nesse vão pro fundo toda a vazão que há.

23/02/12

DISCRIDEZ.

Deveríamos criar novas palavras constantemente. A cada ano tinha de haver um congresso para inflar nosso dicionário com novos termos, que contemplassem novas sutilezas de entendimento. Um ajuste fino mesmo.
Votaria em uma palavra que seu significado aglutinasse timidez e discrição. Além de belo vocábulo, seria minha qualidade predileta. Fora o mistério que as duas palavras trazem em si, o que por si só já desperta interesse, acho que ambas são sinceras como nenhuma outra.

Acho os tímidos muito mais interessantes que os extrovertidos. Há uma honestidade brutal em vossas essências. Em sua retração, eles confessam uma consciência que a mim encanta muito: a de que somos seres falíveis. Como se em seu silêncio dissessem “Eu posso te desapontar”, como se admitissem sua porção mundana sem constrangimento. Nem acho que isso seja consciente. E talvez por isso seja tão mais sincero que algo que se queira mostrar.

Ademais disso, vencer a barreira da timidez é um jogo que exige muito mais agudeza. Vai-se pelas beiradas, não há xeque-mate. Há mais mérito e, por isso, maior recompensa. A voz, além de baixa, tem que relatar muito mais seus fracassos que suas proezas. Para os tímidos você não só pode como deve contar que quase jubilou no curso de Publicidade da Faculdade Santa Genoveva. Eles sabem que a vida é feita muito mais de derrotas que de vitórias. E eles só precisam perceber que você pactua disso pra abrir a primeira fresta. E aí, quando você consegue arrancar uma primeira intimidade, pronto, tens a certeza de que houve uma troca absolutamente desprovida de qualquer conveniência social.

Tímidos geralmente saem feios na foto, mas têm os sorrisos mais sinceros fora dela. Deles eu tiraria somente o medo. Apenas por isso incluiria a discrição em minha receita de nova palavra. Discretos são tímidos destemidos.

No trabalho ou na próxima festa que você for, resista a extroversão daquela figura manjada. Olhe pelos cantos e procure um tímido. Neles pode haver um dicionário inteiro.

31/01/12

Há verdades que deixam de sê-las só porque foram ditas em hora errada.