Follow by Email

02/03/2015

Monolítica.

Para alguém que se considera preocupado com as questões do mundo pode parecer contraditório, mas não sou engajado politicamente. Uma postura decorrente da preguiça de entender toda essa (des)organização burocrática chamada Estado e, principalmente, da preocupação com a minha saúde. Existe coisa mais insalúbre do que ler caderno de política? De que adianta entender as leis e trâmites de governo se nem quem as criou aprendeu a respeitá-las? É como acreditar que com uma nota de 10 iens dá pra comprar pão na Lapa.

Fora isso, tenho um sentimento político ainda mais pungente que é a desesperança. Não acredito no poder do voto. Não acredito que o povo brasileiro que, infelizmente, é em sua maioria analfabeto, adquira nos próximos 50 anos capacidade intelectual para votar conscientemente ou protestar de forma eficiente contra as canalhices políticas - como fazem em alguns países europeus por motivos as vezes risíveis. Nesse sentido, economizo o meu otimismo pro congestionamento que na frente deve andar”. A minoria capacitada pra mudar alguma coisa ou está , mudando pra persa o tapete de suas casas, ou está aqui como eu, desiludido.

Cheguei, quando mais jovem, a acreditar na tal revolução. Parei porque cheguei a conclusão de que teria muito mais gente querendo faturar com a informação de “sei quem está por trás disso” do que contribuir com a mudança. Adotei então uma política própria. Parece um contra-senso, que, por definição, política tem mais de coletivo que de individual. Mas a minha, acredito eu, tem sim um longo alcance. É a política do bom dia, boa tarde, boa noite. Melhor ainda se for pra alguém que você nunca viu na vida. É a política de dar passagem no trânsito e dizer valeu pro lixeiro. É a democratização do bom senso. Que cedo ou tarde chega em cima, aos homens das cadeiras que de lei têm a madeira. É uma forma de seqüestrá-los da paz. De azedar a pizza.


Vamos sabotar a consciência. Sem marreta e nem careta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

EXCLAME